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A
Informação e o Conhecimento como Mercadorias
Paul
Singer, colunista do iG.com
Na
velha economia, na economia anterior à Internet, a informação
era uma mercadoria suficientemente valorizada para que o seu preço
cobrisse seus custos de produção, processamento e distribuição
e ainda proporcionasse bons lucros às empresas de mídia, fosse
esta impressa, radiofônica ou televisiva. Um dos grandes feitos
da nova economia é a redução de grande parte dos custos da informação,
sobretudo o seu processamento, armazenamento e distribuição. Conseqüentemente,
o preço da informação caiu na mesma medida, chegando em muitos
casos a zero, pois a publicidade paga parte do custo da informação
e quando este torna-se muito pequeno, a informação pode ser oferecida
de graça.
Outro
dos grandes feitos da Internet é que enorme quantidade de informações
podem ficar permanentemente à disposição dos interessados, pois
o espaço disponível para textos nos sites parece infinito. Assim,
quem acessar um jornal eletrônico pode ler as notícias, crônicas,
análises etc. do dia mas também das edições anteriores, o que
dispensa o interessado de criar o seu próprio arquivo de informações
e conhecimentos. Informar-se através da Internet tornou-se não
apenas barato, quando não gratuito, mas também fácil, requerendo
muito menos esforços do que na época (ainda bem recente) em que
fazíamos recortes de notícias e artigos da imprensa, que guardávamos
em pastas classificadas para poder encontrá-los quando necessário.
O
efeito da nova economia sobre o conhecimento está sendo, no entanto,
oposto. O conhecimento ganho pela análise e interpretação de informações,
quando produzido por capitais privados, está sendo vendido a preços
de monopólio. Este fato ganha relevância à medida que a produção
de conhecimentos está sendo privatizada. Até há alguns anos, grande
parte da produção científica era paga com recursos públicos e
por isso os conhecimentos assim ganhos eram oferecidos de graça,
como bens públicos. Agora, uma parte crescente desta produção
se realiza em empresas privadas, que tratam de proteger o seu
direito de propriedade intelectual mediante o patenteamento ou
o monopólio da reprodução [ o 'copyright'].
Os
Estados Unidos são o país em que a produção científica para capitais
privados é a maior e possivelmente seja - ou em breve será - o
seu principal produto de exportação. Os EUA usam o enorme poder
que lhes dá o fato de constituírem o maior mercado do mundo de
bens de consumo para obrigar todos os outros países, que lhes
queiram vender mercadorias ou serviços, a pagar royalties e direitos
autorais pelo uso de patentes e pela reprodução de obras de divulgação
e entretenimento, de propriedade de seus cidadãos. Este encarecimento
do conhecimento impossibilita a produção de novos conhecimentos,
sobretudo em países semi-desenvolvidos de pouca tradição científica
e com poucas empresas nacionais que possam contribuir de modo
original ao avanço da ciência.
Como
regra geral, só se produz conhecimento novo estudando e incorporando
ou criticando e rejeitando conhecimentos anteriores. Se estes
são protegidos pelo sigilo industrial, só o detentor da patente
tem acesso a conhecimento indispensável à produção do novo. O
efeito geral é concentrar os capitais 'científicos' e a produção
científica nos países em que residem a maioria dos detentores
de direitos de propriedade intelectual. A Internet produziu enorme
aumento de demanda por conhecimento científico, sob a forma de
texto ou incorporado em produtos. A difusão pelo 3º Mundo do respeito
da propriedade intelectual, majoritariamente de não-residentes,
implica em restringir o livre uso do conhecimento para a produção
de mais conhecimento além de onerar o déficit nas contas externas
e agravar a dependência econômico-financeira das grandes potências.
Artigos
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20/10/00
Os altos e baixos da nova economia
13/10/00 O ensino à distância como resposta
06/10/00 A Demanda pelo conhecimento
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29/09/00 Ciência e verdade
22/09/00 A universidade face à
revolução técnica e científica
15/09/00 A Nova Economia como motor do crescimento
08/09/00 Campanha eleitoral na internet
01/09/00 Nova e Velha Economia - as
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25/08/00 A Nova Economia em perspectiva
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