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O
Ensino à Distância como Resposta
Paul
Singer, colunista do iG.com
Vimos,
na semana passada, que a demanda por conhecimento científico tem
crescido explosivamente, em função dos avanços tecnológicos logrados
a partir de descobertas científicas. A resposta a esta demanda
tem de ser um aumento igualmente explosivo da produção de descobertas
e inventos, ou seja, da produção de conhecimentos e sua aplicação
à satisfação de necessidades. É claro que esta expansão das atividades
de ciência fundamental e aplicada exige investimentos muito grandes,
sobretudo em formação de cientistas, o que representa imenso desafio
ao sistema de ensino. Percebe-se uma insistência monótona e ensurdecedora
por mais educação, mais educação e mais educação. Mas, na prática,
os recursos públicos destinados à escola não crescem nem de longe
na medida da demanda, o que faz com que grande parte transborde
para o mercado privado de ensino.
Mas,
mesmo este - embora esteja em expansão acelerada - não acompanha
a demanda, simplesmente porque grande parte dela não é solvável.
Muitos, que querem e precisam aumentar sua escolaridade, até por
exigência do mercado de trabalho, não têm renda suficiente para
pagar o ensino privado e não encontram vagas no ensino público.
Este
estrangulamento educacional já está claro e se manifesta na forma
de faculdades privadas de ínfima qualidade, que vão se multiplicando
nas áreas mais carentes, oferecendo um ensino precário a preço
de banana. Esta tendência é daninha em si, mas sinaliza a existência
duma grande procura por ensino médio e superior, que tem alguma
capacidade de pagar, embora nem de longe os preços cobrados pelas
faculdades privadas de bom nível. Para atender esta demanda surge
como a grande promessa, o ensino à distância. Desta forma, a 'nova
economia', que gerou o problema, também pode contribuir para sua
solução.
O
ensino à distância já é uma prática consagrada há muitos anos,
utilizando os meios convencionais de comunicação, desde o correio
até a televisão. Mas, era um ensino com claras limitações de caráter
pedagógico e econômico. Sem a presença física do mestre, o aluno
tem de aprender por si, sem poder tirar dúvidas ou discutir o
que lhe é transmitido, a não ser por meios indiretos. E o correio
não é de graça. De modo que até há pouco o ensino à distância
era uma forma inferior, suplementar de ensino, apenas um grau
acima do autodidatismo.
Convém
observar que o autodidatismo é a forma essencial de aprender,
que todos utilizamos, ao lado do aprendizado escolar e depois
que deixamos a escola. Mas, o autodidatismo tem limites, o mais
óbvio sendo que ele não serve para o aprendizado de assunto inteiramente
novo, cujos fundamentos são desconhecidos. Quando surge a internet,
as possibilidades do autodidatismo aumentam muito por causa da
enorme oferta gratuita, ou quase, de informações. Sob certo ângulo,
a internet é uma vasta máquina de ensino à distância, com a vantagem
peculiar de que ela abrange o mundo inteiro.
Tudo
leva a crer que a internet deverá revolucionar o ensino à distância,
e as melhores universidades já estão trabalhando para isso a pleno
vapor. Além de eliminar a despesa do correio, o que não é trivial,
a internet permite a interação em tempo real entre o professor
e o aluno. Isso melhora o desempenho possível no ensino à distância
e o combina com o autodidatismo. Acho que a melhor forma de encarar
o ensino à distância é olhá-lo como um meio termo entre o ensino
presencial e o autodidatismo. O ensino presencial não poderá ser
completamente substituído pelo autodidatismo assistido pelo ensino
à distância. Mas, é provável que em alguma medida esta substituição
é inevitável.
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A Demanda pelo conhecimento científico
29/09/00
Ciência e verdade
22/09/00 A universidade face à
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15/09/00 A Nova Economia como motor do crescimento
08/09/00 Campanha eleitoral na internet
01/09/00 Nova e Velha Economia - as
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25/08/00 A Nova Economia em perspectiva
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