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A
Demanda pelo Conhecimento Científico
Paul
Singer, colunista do iG.com
O
conhecimento científico é o mais social, o mais compartilhado
e o mais discutido de todos os conhecimentos. Como somos dotados
de fala e inventamos a escrita, usualmente comunicamos nossas
observações e percepções uns aos outros e cotejamos o conhecimento
assim obtido com o que já sabíamos antes. Novos conhecimentos,
que se chocam com as expectativas, são freqüentemente discutidos
pelos meios de comunicação de massas. Mas, este tipo de intercâmbio
é conduzido um pouco ao acaso, como parte integrante da vida social.
O seu resultante é um lastro de conhecimentos amplamente difuso
que chamamos de 'senso comum'. O conhecimento científico difere
do senso comum por ser o produto de observações propositais, sistematicamente
comunicadas e discutidas por especialistas, que possuem extenso
saber tido como provavelmente verdadeiro.
O
conhecimento científico é desse modo submetido a um exame coletivo
meticuloso e sujeito a discussões, quando colide com parte do
saber prévio. Graças à internet, esta discussão abrange a maioria
dos especialistas conectados. É razoável admitir que o conhecimento
científico tenha maior probabilidade de ser verdadeiro do que
o senso comum, mas seria claramente um exagero supor que qualquer
proposição endossada por cientistas seja, só por isso, mais verdadeira
do que proposições sustentadas por leigos.
O
que dá ao conhecimento científico grande credibilidade é que ele
tornou possível inventos que mudaram nossa vida, do gerador de
energia elétrica à comunicação sem fio e do avião e satélite artificial
ao computador, sem falar dos remédios, da cirurgia, das vacinas
etc.. Desde o século passado, descobertas científicas foram responsáveis
por inovações tecnológicas que se mostraram imensamente benéficas
à humanidade. Embora cada proposição científica só seja verificada
por um número limitado de especialistas, sua aceitação pela comunidade
científica confere-lhe imensa credibilidade por parte do público
leigo.
Um
dos efeitos do crescente prestígio da ciência é que a demanda
pelos produtos dela cresce sem cessar. Os enfermos esperam que
a ciência ofereça logo conhecimentos que permitam inventar curas
para os seus males; o mesmo fazem as empresas, sobretudo as que
aplicam tecnologia nova, ainda em processo de desenvolvimento,
como a informática, a telemática, a biotecnologia etc.. Também
governos, escolas, meios de comunicação e o público em geral apostam
na ciência como podendo e devendo oferecer novos conhecimentos
para resolver todos os problemas.
Uma
resposta a essa demanda em expansão pelo conhecimento científico
é a derrubada da barreira que tradicionalmente separava a ciência
pura da aplicada. A ciência pura - que lida com os fundamentos
das diversas disciplinas em que se divide a ciência - era praticada
nas universidades e academias, enquanto sua aplicação a problemas
era desenvolvida em empresas, visando o lucro. Com os grandes
avanços tecnológicos dos últimos decênios, os ganhos com novas
invenções são muito grandes, o que encoraja muitos cientistas
a focar seus esforços em problemas bem identificados, cuja solução
depende de novos conhecimentos cuja obtenção é tida como factível.
Hoje tanto universidades quanto empresas fazem ciência pura e
aplicada. A única diferença que ainda persiste é que as descobertas
tidas como fundamentais são oferecidas gratuitamente ao público,
mediante sua divulgação em revistas científicas, ao passo que
descobertas que levam diretamente a aplicações práticas lucrativas
podem ser patenteadas. A patente dá ao descobridor o monopólio
sobre o conhecimento em questão por determinado número de anos.
Durante estes anos, o detentor da patente pode autorizar o seu
uso contra o pagamento de royalties, calculados em geral como
percentagem sobre o total de vendas dos produtos que incorporam
o conhecimento patenteado.
No
passado ainda recente, a ciência era como o sacerdócio: era praticada
apenas por uma elite de pessoas com vocação especial, muito distintas
dos comuns dos mortais. Hoje, os trabalhadores da ciência são
milhões, o que corresponde à generalização do ensino de ciências
nas escolas e na massificação dos níveis mais elevados do sistema
educacional.
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29/09/00 Ciência e verdade
22/09/00 A universidade face à
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