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A Nova Economia como motor do crescimento

Paul Singer, colunista do iG.com

O que faz uma economia capitalista crescer é antes de mais nada o aumento da demanda por bens e serviços, seja de indivíduos para fins de consumo, seja de empresas para fins de investimento. Os indivíduos expandem seus gastos ou porque ganham mais ou porque surgiram novos produtos, cuja posse e usufruto lhes interessa. As empresas ampliam seus investimentos porque suas vendas crescem e elas sabem que podem vender mais ou porque concorrentes adotam nova tecnologia e ameaçam expulsá-las dos mercados.

O que está fazendo a economia dos países adiantados crescer é o aumento veloz do consumo de microcomputadores e dos serviços que podem ser acessados através deles; e a explosão de investimentos resultante da abertura de novas empresas que exploram os novos produtos e novos processos de produção, distribuição, comunicação e recreação que a revolução digital vem proporcionando. Os logros da microbiologia estão se somando a estes, com a perspectiva de se multiplicar futuramente.

O crescimento econômico impulsionado pela nova economia tende, por enquanto, a beneficiar as camadas mais privilegiadas, em termos tanto de poder aquisitivo como de escolaridade. Para se ligar é preciso no mínimo ter telefone e computador, dois aparelhos que, no Brasil, estão longe de ser baratos. Só esta barreira já exclui dezenas de milhões da possibilidade de participar do mundo encantado da cibernética. Mas, além disso, é preciso ser alfabetizado nas linguagens deste mundo. Quem não é versado em inglês está por fora da grande maioria dos sites disponíveis na Internet. O que pressupõe um nível de escolaridade que a grande maioria dos brasileiros ainda não possui.

O crescimento econômico impulsionado pela nova economia gera uma quantidade de novos postos de trabalho. Pelo que se divulga, a maioria deles está destinada a pessoas jovens, familiarizadas desde crianças com a computação, com criatividade e/ou alta escolaridade. Como os novos serviços eletrônicos expulsam muita gente de empregos na velha economia, nos setores mais expostos à concorrência da nova, não faltam candidatos aos novos postos de trabalho. Muitos são os atraídos, poucos os escolhidos.

Não é culpa da nova economia, mas ela tende a aprofundar a desigualdade social, ao abrir novas possibilidades de consumo e de ganho à chamada ‘classe média’ e ampliar o desemprego tecnológico, que atinge muitas pessoas que não possuem os predicados necessários para competir pelos novos postos de trabalho. A resposta, da parte do governo e das mentalidades conservadoras é que precisamos elevar a escolaridade dos pobres e dos desempregados. Assim eles se habilitarão às oportunidades de trabalho e renda que a nova economia está multiplicando.

Esta resposta pode parecer lógica, mas escamoteia o essencial. O efeito do aumento da escolaridade e da introdução de computadores nas escolas só será sentido a longo prazo. Para os empregadores das empresas digitais, quanto maior a oferta de mão-de-obra qualificada tanto melhor. Mas, para os cidadãos de mais de 40 anos desempregados e os jovens sem acesso a boas escolas, a conquista de bons empregos via mais escolarização é apenas uma miragem. Precisamos urgentemente de políticas efetivas de redistribuição de renda (garantia de renda mínima para famílias com crianças, salário mínimo decente, distribuição de terra a cultivadores etc.) para direcionar o crescimento para baixo, para que ele beneficie os que mais precisam. O que reequilibraria o efeito concentrador do crescimento provocado pela cibernética.

Artigos anteriores:

08/09/00 Campanha eleitoral na internet
01/09/00 Nova e Velha Economia - as Interfaces
25/08/00 A Nova Economia em perspectiva histórica

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