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Campanha eleitoral na internet

Paul Singer, colunista do iG.com

Estamos a menos de um mês das eleições municipais e há um novo meio de comunicação de massa disponível: a internet. Embora a maioria dos eleitores ainda não esteja conectada, uma minoria significativa – sobretudo nas grandes cidades – está e é presumivelmente formada por pessoas de alta escolaridade e que portanto devem ser consideradas ‘formadores de opinião”. Resolvi dar uma verificada de como anda a campanha eleitoral para a Prefeitura de S.Paulo na internet. Para minha frustração, percebi que ela não está muito presente e, com uma honrosa exceção, apresenta pouco mais do que se pode encontrar na propaganda gratuita pela TV.

Não me considero um viajante experimentado pela via eletrônica universal, mas uma campanha eleitoral para ser efetiva deve ser acessível ao mais bisonho dos interessados. De modo que meus resultados podem ser vistos como representativos dos obtidos pelo internauta ocasional médio. Acionei uma busca de sites de políticos e obtive um total de 86. Destes três eram de candidatos a prefeito de S.Paulo – Marta Suplicy, Paulo Maluf e Romeu Tuma – e um a vice-prefeito: Emerson Kapaz. Outros quatro eram de candidatos a prefeito do Rio de Janeiro: Benedita da Silva, Cesar Maia, Luiz Paulo Conde e Ronaldo Cesar Coelho.

Resolvi abrir os sites dos candidatos paulistas. Com exceção do de Marta, os demais continham apenas notícias de campanha e a propaganda habitual, sem a apresentação de programa ou de propostas mais substanciais. O site de Marta Suplicy constitui a exceção que confirma a regra. Pode-se ler ou descarregar um alentado programa de 33 páginas em que ela expõe detalhadamente como pretende reativar a economia da capital e gerar trabalho e renda, o que ela propõe em termos de descentralização administrativa mediante a implantação de sub-prefeituras e assim por diante.

Após um esforço ulterior consegui localizar o site de Marcos Cintra, que em sua propaganda pela televisão convida os eleitores a se dirigir a ele pela internet. Mas, lá tão pouco o interessado encontra um programa ou um elenco articulado de propostas; apenas artigos publicados na grande imprensa e discussões genéricas. Há um home page de Geraldo Alckmin que sequer menciona sua candidatura a prefeito.

Os sites dos partidos políticos visitados tão pouco apresentam os programas de seus candidatos. A maioria deles parece dirigida aos ativistas, oferecendo notícias e instruções de campanha. É uma pena, pois a internet deveria ser vista como uma mídia qualitativamente distinta, que poderia exercer uma função política mais sofisticada ao satisfazer a curiosidade de pessoas que dispõem de um nível de informações acima da média e querem cotejar as propostas dos candidatos para a cidade ou que visam problemas específicos.

A internet veio abrir um gargalo que obstruía a livre comunicação entre candidatos e o eleitorado mais exigente e melhor informado, cuja influência sobre os demais eleitores não deveria ser subestimada. A mídia de massa – a televisão e a grande imprensa – simplesmente não dispõe de espaço para informar adequadamente este público. Como é fartamente sabido, a propaganda dirigida ao público em geral se resume a slogans e a propostas e promessas genéricas. Agora, a grande via eletrônica oferece espaço em abundância para que os candidatos se comuniquem com os formadores de opinião e cada um tem a baixo custo toda a possibilidade de mostrar racionalmente que é o melhor. É triste mas significativo que quase nenhum deles esteja aproveitando esta possibilidade.

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