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Nova e Velha Economia - as Interfaces

Paul Singer, colunista do iG.com

A Nova Economia é, sob muitos aspectos, a continuação da velha com outros métodos. Esta é toda diferença, por enquanto, e não é pequena. O chamado comércio eletrônico pode ser tomado como exemplo. No fundo, bens e serviços continuam sendo transacionados por dinheiro ou por promessas de pagamento futuro, como vem acontecendo há milênios. E é claro que na medida em que os meios de transporte e de comunicação se aperfeiçoavam, as trocas mercantis foram se multiplicando, as distâncias entre produção e consumo foram se alongando e o contato face a face entre vendedor e comprador pôde ser substituído sucessivamente por missivas, telegramas e telefonemas. O varejo à distância, com a utilização dos correios ou de serviços especiais de entrega, já era comum desde o começo do século.

A grande novidade é a economia de esforços, tempo e dinheiro que o emprego da Internet proporciona à prática do comércio à distância. Graças à telemática, é possível oferecer ao comprador potencial informações detalhadas e imagens coloridas do que está sendo ofertado, com um apertar de tecla ou mouse, em poucos segundos, a custo negligenciável. Antes era necessário ir a uma loja e consultar um catálogo impresso e depois preencher um pedido. O pagamento à distância por cartão de crédito também poupa tempo e esforço, embora ofereça seus perigos.

Nestes aspectos todos, o comércio eletrônico é bem a continuação de modalidades de comércio preexistentes. Onde a quantidade se transforma em qualidade é na facilidade com que se montam leilões on line, graças à facilidade de intercomunicação à distância tornada possível entre pessoas do mundo inteiro conectadas à Rede. O leilão é provavelmente a modalidade de comércio que mais se aproxima da concorrência perfeita imaginada pelos economistas neo-clássicos. No leilão, um grande número de interessados em comprar disputa determinada mercadoria e aquele que se dispuser a pagar mais leva. Ou muitos interessados em vender disputam a preferência dum comprador, que vai escolher a melhor oferta, em termos de qualidade e preço.

A grande vantagem do leilão é a transparência, todos os participantes têm acesso a todas as informações, de modo que as transações acabam sendo ‘ótimas’. Sem leilão, o contato entre vendedores e compradores é governado pela lei do acaso e com toda probabilidade muitas transações são afetadas pelo fato de que nem os vendedores conhecem todas as demandas e nem os compradores todas as ofertas. Na velha economia, organizar leilões custa caro porque requer os serviços do leiloeiro e seus auxiliares e a presença física do outro lado – compradores ou vendedores – e das mercadorias ou no mínimo a sua especificação detalhada. Por isso, leilões se limitam à venda de artigos de grande valor: obras de arte, antiguidades, objetos raros para colecionadores etc.. Outra modalidade são as licitações, feitas em geral por governos, para contratar obras públicas ou a aquisição de grandes lotes de mercadorias.

O comércio eletrônico torna viável leiloar mais ou menos continuamente voos aéreos, temporadas em hoteis, objetos usados e uma infinidade de produtos de alto e baixo valor. Isto representa um aperfeiçoamento considerável dos mercados, que se traduz em vantagens pecuniárias para os participantes. Organizar uma viagem, comprar um livro ou um disco, realizar um escambo via internet pode ser muito mais em conta e eventualmente mais divertido, à medida que proporciona a oportunidade de novos e inesperados contatos sociais.

Leilões eletrônicos se tornam possíveis à medida que muita gente navega pela rede e visita os sites em que eles se realizam. No Brasil, estes números ainda são modestos mas tendem a crescer depressa. É por isso que se deve esperar muito desenvolvimento do comércio eletrônico nos próximos anos. Acredito que mal começamos a arranhar a exploração de todas suas potencialidades.

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25/08/00 A Nova Economia em perspectiva histórica

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