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Maus conselhos
Aleksandar
Mandic, colunista do iG.com
Quem vai para uma escola de economia ou de administração
de empresas logo aprende a expressão "ceteris paribus", para ser
usada durante os quatro anos do curso. É uma expressão latina
que na faculdade significa mais ou menos o seguinte: o mundo real
fica "parado", enquanto você estuda o comportamento de apenas
uma variável. Por exemplo: você estuda salários de certos trabalhadores
sem levar em conta a demanda pelos bens que eles produzem. Claro
que isso não existe. O mundo não pára, as forças econômicas e
sociais têm uma dinâmica nem sempre previsível e "ceteris paribus"
acaba virando nome de piada acadêmica.
Se décadas atrás já havia necessidade de "parar"
o mundo para poder estudá-lo, com a nova economia isso ficou difícil.
Além do fato de que tudo acontece com muito mais rapidez - tecnologias,
estratégias, cenários e tudo o mais muda com velocidade elevadíssima
-, a pesquisa acadêmica sobre qualquer assunto é uma atividade
de grande precisão mas que consome um tempo medido em anos, enquanto
esses fatos de que estou falando acontecem no máximo em meses.
Ou seja: as respostas que as pesquisas podem trazer vão demorar.
Apesar disso, milhares de consultores do mundo
inteiro - profissionais que saíram das melhores escolas de administração
do mundo, e que trabalham em algumas das melhores empresas de
consultoria do planeta Terra - estão procurando empresas para
dar receitas sobre como se dar bem na nova economia. Alguns até
escrevem livros, dão palestras, falam em seminários e congressos,
mas meu palpite é que nenhum teria coragem de repetir a receita
se fosse para uma empresa de seus próprios pais.
Quero dizer que na minha opinião eles não têm certeza
sobre o que falam ou receitam, por uma razão absolutamente simples:
eles não trabalham em empresas pontocom, não sabem o que é o dia-a-dia
de uma empresa dessas e pensam (o que é pior) que existe uma receita.
Como acreditam no ceteris paribus desde que entraram na universidade,
acham que raciocinaram corretamente. Ocorre que não só o mundo
nesse setor não pára como se move à velocidade da luz. É como
estande de tiro em academia de polícia, onde o alvo ora é iluminado,
ora está na penumbra, e nunca se sabe se vai aparecer perto de
você ou bem longe. De todo modo, a gente sabe que quem acerta
mais é o bom atirador e não o projetista da arma.
Não quero dizer que não se precise do trabalho desses
profissionais, mas suas receitas não têm funcionado bem desde
que a Internet comercial foi aberta. As grandes previsões falham
desde março do ano passado. E, como todo mundo sabe, de bons conselhos
o inferno está cheio.
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