| Um
novo campeonato
Aleksandar
Mandic, colunista do iG.com
Domingo da semana passada (dia 28 de janeiro), a
partida final da liga americana de futebol (NFL), que na gringolândia
é conhecida "super bowl", terminou com a vitória do Baltimore
Ravens sobre o New York Giants por 34 a 7. Transmitido com exclusividade
pela CBS, o jogo foi assistido por 131,2 milhões de telespectadores
nos EUA e quase um bilhào no resto do mundo, e aproveitado segundo
a segundo por eles durante as jogadas e pelos anunciantes durante
os intervalos. Foram 60 comerciais de 30 segundos, a US$ 2,3 milhões
cada - ou US$ 76.667 por segundo; faça as contas do faturamento
da CBS nesse período.
A partida do ano passado espantou muita gente pela
quantidade de empresas pontocom presentes: eram 17, enquanto as
tradicionais pareciam até que estavam ali para fazer figuração.
Neste ano, tudo se inverteu, as pontocom quase desapareceram do
super bowl, restando apenas três, enquanto que a grande massa
de anunciantes era formada pelos mais tradicionais - Pepsi Cola
e Anheuser Busch (cervejas Budweiser e Bud Light) entre eles.
Esse cenário de anunciantes pode ser uma boa pista
do que será a Internet daqui para a frente. A primeira observação
é de que há muito menos empresas de internet dispondo de caixa
para anunciar pesado - o que corresponde ao fato de que muitas
foram fechadas porque seu modelo de negócios não resistiu às provações
do mercado. Como eu disse num dos artigos anteriores, isto é jogo
para gente grande, embora nem todos acreditem.
O que está cada vez mais claro é que qualquer operação
na web precisa ter grande utilidade para atrair usuários, caso
contrário estará morta em pouco tempo. Em 1999, um autor chamado
Evan Schwartz lançou um livro chamado "Darwinismo Digital", relatando
sete estratégias inovadoras "para sobreviver na implacável economia
da web". Não vou discutir aqui o mérito das sete, mas nem essa
nem qualquer outra receita pode funcionar se a operação não tem
ou não agrega valor.
Até pouco tempo atrás, bastava uma boa idéia e um
bom plano de negócios para se conseguir capital de risco (inclusive
aqui) e tocar um negócio de internet. Agora, a última coisa de
que os bancos de investimento querem ouvir falar é de novos projetos
de internet. Eles preferem ficar com os que sobreviveram porque,
esses sim, passaram pela seleção natural e provavelmente estão
no caminho do sucesso.
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26/12/00 Massas-falidas
18/12/00 Modelos com casca e tudo
12/12/00 O futuro do celular
05/12/00 Ativos na folha de pagamento
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