Broadband
para todos
Aleksandar
Mandic, colunista do iG.com
Quando
a Internet foi anunciada e apresentada ao público brasileiro
em maio de 1995, o país ainda vivia o monopólio das telecomunicações.
Todas as telefônicas, do Rio Grande do Sul a Roraima, chamavam-se
tele-alguma-coisa e o carrier interestadual e internacional
era a poderosa Embratel. Assim, os provedores de acesso dependiam
da Embratel para conectar-se à Internet e não havia outra alternativa.
Um canal de 64Kbps custava mais de três mil reais por mês e
isso era o que havia de mais barato.
Estamos
em 2001 e muita coisa mudou. Em primeiro lugar, as telecomunicações
- seja telefonia, seja transporte de voz, imagens e dados entre
Estados brasileiros - não são mais um monopólio sob controle
do governo. As telefônicas em todos os estados não são mais
controladas pelos governos estaduais ou pelo federal, e além
disso elas têm a concorrência das empresas-espelho, que também
oferecem serviços de telefonia. Além disso, existem as "espelhinhos",
que atendem as comunidades menores, ou seja, haverá telefone
para todos.
O
efeito da privatização visto pelo lado do usuário é impressionante.
Hoje, pode-se solicitar para instalação em casa, por uma tarifa
da ordem de 70 Reais, uma linha ADSL que oferece um canal de
dados de 128K. Guardadas as devidas proporções, usamos por R$
70 aquilo que deveria estar sendo vendido por R$ 6 mil.
O
que está acontecendo hoje é que houve uma popularização das
conexões de alta-velocidade graças às linhas ADSL e também RDSI
(que custam ainda mais barato, com a desvantagem de exigirem
discagem e serem tarifadas por minuto de uso, enquanto no ADSO
a tarifa é fixa). No médio prazo, essas conexões vão se utilizar
de velocidades cada vez mais altas, até que todas as aplicações
multimídia em broadband estejam à disposição de qualquer usuário
da Internet.
Na
verdade, está acontecendo com as linhas aquilo que já havia
acontecido com os modens - começaram a 300 bps e sua velocidade
foi subindo, ao mesmo tempo em que seus preços caíam. Hoje consegue-se
comprar um bom modem de 57.600 Kbps pelo equivalente a 40 dólares,
para surfar com elegância pelos hiperlinks da Internet.
Pelo
lado das empresas do ramo, é certamente o momento de investir
nas aplicações e fazer com que elas sejam cada vez melhores.
Numa comparação grosseira, é talvez como fazer TV no Brasil
em 1955, mas com a perspectiva de que a evolução para o estado
da arte de 2001 vai acontecer em apenas dois anos. Ou seja,
é hora de trabalhar duro. E viva a concorrência.
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