A
agonia da "lista negra"
Aleksandar
Mandic, colunista do iG.com
Bem
, e lá está de novo o iG na "lista negra" mundial do spam -
a primeira vez foi em outubro, depois o provedor ficou em "liberdade
condicional" e agora está lá novamente. É uma lista chamada
"Realtime Blackhole List" e supostamente contém o cadastro das
pessoas físicas e jurídicas que enviam ou permitem o envio de
grande quantidade de mensagens sem o consentimento dos destinatários.
É organizada no exterior por provedores de acesso.
Acho
sinceramente que esforços adicionais serão inúteis para consertar
a situação. Antigamente, quando a velocidade dos modems não
passava de 1200 bps, era justificável que alguém ficasse irritado
porque recebera uma mensagem não solicitada contendo um arquivo
de alguns megabytes, o que obrigava a pessoa a ficar ocupando
a linha do telefone por um tempo realmente grande. Hoje, com
os modems padrão tendo velocidade de 57,6Kbps e com a banda
larga instalada dentro de casa, começa a deixar de ser justo
tratar do assunto como um problema.
As
razões são várias: além de a velocidade ter melhorado muito,
todos os programas-clientes de e-mail possuem filtro anti-spam,
e os provedores que oferecem webmail permitem que você veja
detalhes da mensagem antes de decidir abri-la - remetente, data,
tamanho, assunto. Tudo. Basta clicar no checkbox ao lado e em
seguida no ícone "apagar". Pronto. Não há incômodo nem perda
de tempo.
Se
por um lado existem essas facilidades no lado do cliente, já
o mesmo não acontece no lado do provedor, que não pode deixar
de receber a mensagem nem de armazená-la. Claro que nem todos
os provedores terão suficiente capacidade de armazenamento.
Os pequenos, por exemplo, não sei não...
Não
é simples, também, controlar-se o usuário. Penalizar um provedor
grande por causa de um único usuário é como fechar a avenida
Paulista porque alguém decidiu cruzá-la a 150 Km/h à noite.
A utilidade da via pública beneficia uma quantidade de gente
muito maior do que aquelas que se sentiram prejudicadas pelo
recordista de velocidade. E a bem da verdade, não se nota na
população, no noticiário do rádio ou da TV, nas conversas de
bar ou nas universidades qualquer vestígio de reação contra
o spam. Não conheço ninguém que seja a favor, é ruim mesmo,
mas o spam já não causa o estrago que causava dez anos atrás.
Hoje,
os tempos são outros - a velocidade do tráfego subiu e a internet
não é mais um ambiente exclusivo dos pesquisadores: ela saltou
o muro da universidade, mudou de roupa, está ficando cada vez
mais bonita e parece que tanto o spammer quanto as listas estão
caminhando para o mesmo fim: estão deixando de ser notados e
sua tendência é mesmo desaparecer.
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