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Modelos com casca e tudo

Aleksandar Mandic, colunista do iG.com

Algumas semanas atrás, a imprensa noticiou que o site de leilões Gibraltar estava encerrando suas atividades, depois de mais ou menos um ano em operação. Diante de um fato como esse, acho que toda a indústria da Internet só tem a lamentar - as perdas são grandes tanto para os empreendedores quanto para os funcionários e para os parceiros. Ao mesmo tempo, já circulam notícias de que haverá fusões entre duas ou mais operações de leilão online brasileiras.

Isso indica para o mercado que o modelo de negócios "leilões online" ou não tem plena aceitação no Brasil ou não está sendo adotado da maneira correta. Em qualquer parte do mundo, os leilões online são baseados na presença maciça de cidadãos que têm alguma coisa da qual querem se livrar e na daqueles que procuram uma boa oportunidade de negócio, de preferência naquele patamar de preço que costumamos chamar de "galinha morta". Nos Estados Unidos e no Canadá, é muito comum, durante os fins-de-semana, as pessoas juntarem na frente da garagem de casa um monte de coisas não usam mais e que podem valer algum dinheiro, colocarem um cartaz nos postes das duas esquinas mais próximas anunciando "garage sale" e sentarem-se ao sol para aguardar a freguesia.

O leilão online é justamente uma espécie de garage sale gigantesca e sofisticada. Mas no Brasil, além de garage sales serem raras e leilões serem mais conhecidos nas festas juninas do na comercialização de obras de arte, há problemas digamos… estruturais.

Num país em que os golpes são freqüentes, e em que os leilões de verdade em sua esmagadora maioria são promovidos, operados e freqüentados por pessoas jurídicas, fazer leilões online é como estar disposto a executar os doze trabalhos de Hércules. Se você acha que tudo anda bem, é importante saber que o FBI anda de olho nos leilões e em suas mercadorias. Algumas semanas atrás, o presidente do Lokau afirmou que o mercado brasileiro só tem espaço para três operações de leilões e acho que ele é um otimista. Porque mesmo lá no país onde a Internet ainda está em festa, quantos leilões têm sucesso como o eBay?

Já houve tentativas de inovação interessantes, em busca de novos modelos - ao invés de se leiloar mercadorias, o "leilão invertido" leiloava o dinheiro, ou seja, você dizia quanto queria pagar por determinado item, e as empresas vendedoras é que disputavam o seu dinheiro. O site Priceline foi o pioneiro nesse aspecto mas não se pode dizer que tenha dado certo - e infelizmente seu nome já esteve envolvido numa acusação de fraude em leilão reverso de gasolina.

Apesar de tudo, o eBay é a prova (até agora) de que ao menos em seu país o modelo existe e pode dar certo. Ao mesmo tempo, a morte do Gibraltar e as ameaças que podem aparecer diante das outras operações de leilão brasileiras ou latino-americanas indicam que ou esse modelo não pode ser implantado na região ou pelo menos não pode ser importado da América do Norte e implantado aqui com casca e tudo.

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