O
futuro do celular
Aleksandar
Mandic, colunista do iG.com
No Brasil
do início dos anos 90, era possível ver em Brasília, Rio e São
Paulo homens (e sempre homens, porque aquilo era pesado) carregando
um objeto que parecia um telefone de campanha - uma caixa com
alça para ser pendurada a tiracolo, que tinha sobre ela um telefone.
Esse trambolho que era levado para restaurantes, reuniões e
automóveis era o telefone celular e sua posse indicava um privilégio
- gente importante, especialmente da capital federal, era agraciada
com um daqueles aparelhos: empresários, governantes, jornalistas.
O preço da habilitação, o do aparelho e o da tarifa eram uma
barreira ao acesso de outros público a esse meio de comunicação.
Uma linha de celular custava tanto (ou mais) do que uma de telefone
fixo. No início deste ano, a Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações,
publicava num anúncio a foto de um catador de papel em Ribeirão
Preto (SP), cuja carroça exibia seu número de telefone celular.
O contraste
é chocante: hoje, um catador de papel tem o mesmo instrumento
de comunicação que o magnata fabricante do mesmo papel. A microeletrônica,
a alta integração de componentes eletrônicos sobre chips de
silício e a economia de escala são responsáveis por esse milagre
que está assombrando economistas, consultores, investidores
e até o público. Os estudiosos da Internet costumam mostrar
com que velocidade o rádio, a televisão e a Internet demoraram
para alcançar 50 milhões de usuários, mas nunca vi um estudo
desses onde eles inserissem também os celulares, cuja velocidade
de absorção pela sociedade é espantosa.
Vamos deixar
claro um aspecto: um celular é um computador. Os da primeira
geração não passavam de telefones com displays luminosos e que
só serviam para falar, mas os atuais têm até browser de internet
e eu posso garantir que você ainda não viu nada. Neste momento,
o Brasil tem 21 milhões de celulares, e a Anatel calcula que
até 2003 esse número dobre. Serão, em sua esmagadora maioria,
aparelhos digitais, capazes de receber short messages, e-mails
e com capacidade de navegar na internet com seus mini browsers,
para receber a qualquer momento informações atualizadas. Segundo
a empresa de pesquisas Strategist Group, dos EUA, em 2007 a
América Latina terá nada menos do que 47,62 milhões de pessoas
navegando na Internet por meio de celulares.
E o que
é animador: metade desses celulares serão de terceira geração
- aquela que ainda não chegou no Brasil, mas que tem um aparelho
capaz de trazer para você uma pizza da esquina ou uma transmissão
de TV via Internet - tanto faz. Só depende do número que você
discar.
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