Ativos
na folha de pagamento
Aleksandar
Mandic, colunista do iG.com
Embora
ainda não exista um modelo de negócios fixo nem determinado
para empresas que operam somente na Internet, alguns parâmetros
já são bem conhecidos. Como eu disse no artigo "Perdidos no
Saara" (leia em Colunistas
), os investidores que querem apostar seu dinheiro na Internet
procuram boas idéias já postas em prática, testadas e bem aceitas
pelo mercado, mesmo que em pequena escala. Idéias perfeitas,
equipes enxutas, empresas contabilmente limpas. E tem um outro
item que eu não mencionei porque nunca costuma estar entre os
ativos de uma empresa, mas neste caso é importantíssimo: a equipe
de executivos.
Toda vez
que uma empresa se apresenta ao governo (brasileiro ou qualquer
outro) para abrir o capital e vender suas ações ao público,
um dos itens descritos em detalhes é a equipe de executivos,
com seu curriculo escolar, profissional, salário e todas as
outras informações para que os acionistas saibam quem está trabalhando
para multiplicar seu dinheiro. As empresas fazem o melhor que
podem para conseguir um presidente, e tambem vice-presidentes
ou diretores para o marketing, a tecnologia, as finanças, a
administração - tudo, enfim -, com uma expectativa de que um
time de primeira linha ganhe o jogo de goleada.
Muitas
vezes não se trata apenas de localizar gente que é simplesmente
competente - isso um bom headhunter pode fazer. Trata-se, isto
sim, de conseguir gente que alem de competente é extraordinária
em sua especialidade.
É curioso
ver isso acontecendo, e em certas condições pode-se até dizer
que essa equipe faz parte do ativo imobilizado da empresa, como
se fossem os móveis e utensílios. Pode não soar bem, pode parecer
deselegante, mas é verdade - a equipe tem um grande valor e
quando alguém precisa se afastar é complicado: além dos problemas
naturais decorrentes do afastamento de qualquer executivo de
empresa que anda rápido como as da Internet, existe a possibilidade
de que o mercado tire conclusões erradas acerca do fato e, com
isso, o desempenho da companhia ou de suas ações no mercado
é prejudicado.
Atualmente,
o mercado brasileiro anda cheio de executivos à procura de boas
colocações, mas um ano atrás era exatamente o contrário: faltava
gente boa porque todo mundo estava contratado por uma operação
de Internet. Os executivos de curriculo extraordinário, porem,
parece que continuam nos mesmos lugares. Felizmente.
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