Seguro
morreu de velho
Aleksandar
Mandic, colunista do iG.com
Algumas
semanas atrás, nos Estados Unidos, um ex-funcionário de um site
de press releases destinados à imprensa escreveu e inseriu lá
notícias falsas sobre o desempenho financeiro da empresa Emulex.
Ele havia tomado um empréstimo de 3.000 ações dessa empresa
e as revendeu por valores entre US$ 72 e US$ 92. Mas quando
tentou recomprar as 3.000 para devolver ao proprietário, os
preços alcançaram US$ 100 e ia faltar dinheiro para recomprar
tudo. A solução foi fazer o preço baixar com um press release
falso, dizendo entre outras coisas que o presidente da empresa
ia renunciar, pedir demissão. Ganhou uns US$ 250 mil, mas foi
logo descoberto pelo FBI e vai amargar um processo bem complicado
com a Justiça americana. Os investidores que perderam dinheiro
nessa movimentação estão processando o Internetwire - o site
de press-releases - e a Bloomberg News, empresa que captou e
distribuiu a informação.
O caso
não é muito simples e não vou discutir as questões de direito,
mas o fato é que parte da internet tem características que a
tornam perfeita para ações desse tipo: tem um público grande
e qualificado, as pessoas ficam num razoável anonimato, a distribuição
das informações é rápida e a autenticação das informações e
dos usuários nem sempre é exigida.
Mas para
cada um desses problemas existe uma solução muito bem testada
de tecnologia - é perfeitamente possível criar um ambiente suficientemente
seguro para qualquer operação, fazendo com que as pessoas se
identifiquem e sejam certificadas, as transações sejam autenticadas
e assim por diante; tanto é verdade que praticamente todos os
bancos têm serviços de home banking via internet. Cinco anos
atrás, só o Wells Fargo, da Califórnia, estava presente na rede,
enquanto que os gerentes de tecnologia dos outros diziam que
a internet não era segura. De fato, algumas soluções ainda não
existiam e a linguagem Java ainda não estava plenamente desenvolvida,
mas o que acontecia de verdade é que eles não conheciam nem
a internet nem o ambiente e nem a infra-estrutura sobre a qual
ela funcionava. Portanto, era melhor dizer que era insegura
do que admitir que ignoravam tudo sobre o assunto.
O incidente
com a Emulex serve para abrir o olho de todos sobre responsabilidades,
mas ao tempo nos permite afirmar que ninguém tem mais a desculpa
da segurança para não usar a rede em transações de negócios.
Basta fazer tudo como manda o figurino - os bancos já sabem
que dá tudo certo.
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