Perdidos
no Saara
Aleksandar
Mandic, colunista do iG.com
O mundo
dos negócios acomoda empreendimentos de todo tipo: podem
ser simples como um bazar ou complexos como uma montadora de
automóveis, baratos com um carrinho de cachorro quente
ou caros como uma telefônica. Em todos, a receita básica
envolve insumos, trabalho e capital. E nesse cenário,
o empreendedor é geralmente aquele que investe seu trabalho
na aglutinação dos elementos que darão
vida ao empreendimento.
Fazendo
uma analogia disso com uma receita de bolo, os componentes são
a receita propriamente dita (a idéia), os ingredientes,
os equipamentos (da batedeira ao forno) e a energia (o capital).
O empreendedor é justamente a pessoa que decide juntar
isso tudo e produzir o bolo, trabalhando até que fique
pronto. Quando o primeiro bolo der certo, ele pode planejar
os próximos para as tardes de domingo, mas se for um
empreendedor de verdade saberá que pode estar fundando
uma fábrica de pães e doces.
Nos últimos
meses, tenho encontrado quase que diariamente pessoas que estão
tentando fazer bolo sem trabalhar. Ou quase isso. Trazem a receita,
sabem como conseguir os ingredientes e os equipamentos, têm
certeza absoluta do sucesso, e a única coisa de que precisam
é (quase sempre) um milhão de dólares.
Essas pessoas
olham a Internet como quem chegou ao centro do Saara vendo uma
miragem colinas verdes, fontes de água cristalina
e palmeiras com tâmaras maduras bem no meio de uma tempestade
de areia. Em síntese: querem sombra e água fresca.
Ao invés de ambiente de empreendimento, a Internet é
vista como um cassino onde se ganha dinheiro fácil e
onde a maioria dos investidores está disposta a perder
em qualquer tipo de aposta.
Tudo isso
é uma miragem. Uma miragem que está fazendo os
empreendedores correrem atrás dos investidores, ou seja,
na contra-mão dos negócios. Eu estou entre as
pessoas que conseguiram bons resultados com seu empreendimento
na Internet, mas eu não tinha capital o que eu
tinha para investir era o meu trabalho: mesmo sabendo que anos
depois poderia chegar a um oásis, foram anos e anos sem
sombra nem água fresca. Já o empreendedor de hoje
aparece com uma idéia e não quer trabalhar nela
antes de conseguir capital. Acontece que em tudo na vida é
preciso investir trabalho, é preciso fazer força.
Sem essa força o resultado é zero.
Os capitais
estão disponíveis em várias fontes, mas
nenhum investidor está disposto a arriscar num negócio
composto por um sócio com uma idéia na cabeça
mas que já vem de pires na mão. O que os investidores
procuram são boas idéias já postas em prática,
testadas e bem aceitas pelo mercado, mesmo que em pequena escala.
Idéias perfeitas, equipes enxutas, empresas contabilmente
limpas. Isso, sim, vale uma aposta em dinheiro.
Lembre-se:
A cana só dá açucar depois de passar por
muitos apertos!
Artigos
anteriores:
12/09/00 Uma nova medida
de tráfego
05/09/00
Onde está o dinheiro?
29/08/00 Nomes aos bois e pingos
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22/08/00 Audiência fiel. Alguém tem
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