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As
forças do marketing digital
Marcio
Chleba, colunista do iG.com
Há
milhares de anos o homem aprendeu a controlar a natureza para
dela tirar sua subsistência, criando técnicas, ou seja, conjuntos
de ações experimentadas e aprovadas para essa finalidade. Para
cada técnica inventada, nossos antepassados engendraram uma nova
tecnologia.
Foi
dessa maneira que, para a técnica da caça, o homem construiu artefatos
como a clava, o arco e a flecha, que passaram a ser tecnologias
da caça. Cada sociedade tem suas técnicas e suas tecnologias,
que não apenas determinam o modo como provém sua subsistência,
mas também configuram a visão de mundo dos membros dessa sociedade.
Vivemos agora a chamada Era da Informação, ou sociedade informacional.
Nossa visão de mundo, nossos padrões e nossa técnica baseiam-se
na troca de informações. Para dar conta dessa nova técnica, o
homem criou, entre outras tecnologias, a informática - também
denominada tecnologia digital -, que oferece a possibilidade de
armazenar e distribuir informações de maneira ágil.
Como
toda nova tecnologia, a tecnologia digital está alterando significativamente
as relações entre os homens. Essa modificação também se reflete
na maneira como as empresas fazem negócios. As empresas que perceberam
essa mudança já foram capazes de alterar suas atividades para
atender às novas exigências, e outras fizeram dessa nova tecnologia
a razão de seu surgimento e crescimento. Enfim, estamos em um
momento de transformação da velha para a nova economia.
Essa mudança na maneira de fazer negócios é radical em muitos
segmentos. A adesão ou não a ela pode eliminar empresas do mercado,
assim como fazer novas empresas surgirem, aproveitando as oportunidades
existentes em todo processo de mudança.
Aderir à nova maneira de fazer negócios implica mudanças culturais
e estruturais que devem ser conscientemente avaliadas e implementadas.
É preciso entender que, quando uma empresa de varejo passa a operar
via internet, ela não pode mudar apenas a maneira de atender os
clientes. É também necessária uma organização completamente diferente,
principalmente quando o volume de vendas cresce.
Em vez do atual espaço físico - uma loja -, é preciso um centro
de distribuição, com processos e sistemas diferentes, que não
requer mais um local 'nobre'.
O
que deve se tornar 'nobre' é a comunicação, o relacionamento com
clientes. É um novo modelo de negócios.
A tecnologia multimídia, com utilização de vídeo, imagem estática
e áudio no computador, e o aumento da quantidade de computadores
nos lares e nas mesas dos escritórios - assim como a utilização
em grande escala da internet como meio de distribuição de conteúdo
multimídia - é primeira etapa de uma grande mudança que cria um
novo caminho para a comunicação entre empresas e seus clientes.
Nos próximos anos vamos assistir à convergência da tecnologia
de telecomunicação e dos aparelhos eletrônicos para serviços em
aparelhos nos quais teremos as funções da televisão, acesso a
sites na internet, correio de voz e de vídeo, videoconferência
e muito mais. Nossas possibilidades de interação com clientes
serão ainda maiores a partir da massificação do uso da TV interativa.
Imagine
quando for possível fazer compras pela televisão com o controle
remoto, no momento da apresentação da propaganda do produto. Ante
essa nova realidade, uma série de empresas começou a desenvolver
estratégias de marketing que fazem uso de tecnologias digitais,
desde a utilização para comunicação institucional e de produtos
até a utilização em promoção, vendas on-line, serviço de atendimento
a clientes e um conjunto infinito de ações criativas que são implementadas
a cada novidade tecnológica que aparece no mercado.
As
novas tecnologias possibilitam o desenvolvimento de novos modelos
de negócios, criando riscos e oportunidades. O planejamento estratégico
das empresas deve contemplar como as forças do marketing digital
podem influenciar seu negócio no presente e no futuro.
As
grandes forças do marketing digital são: personalização, globalização,
integração, aproximação, convergência e democratização da informação.
Cada uma oferece uma nova dimensão à comunicação, às vendas e
ao relacionamento com o mercado.
Personalização.
Embora pareça um paradoxo, o atendimento em massa pode ser perso-nalizado.
Por meio dele é possível prover uma prestação de serviços de excelente
qualidade a clien-tes, com custos operacionais baixos.
O
exemplo clássico é o da FedEx, que em seu site na internet possibilita
ao cliente que tenha enviado uma encomenda de São Paulo para Paris
saber, por meio de um código associado à encomenda, onde essa
se encontra em um dado momento e a previsão de entrega no destino.
Assim, os clientes precisam ser atendidos individualmente por
serviços on-line ligados de auto-atendimento aos bancos de dados
das empresas, o que torna esse atendimento rápido e eficiente.
Os
clientes vão exigir cada vez mais serviços de informações e transações
on-line. Quem se acostuma a usar o home banking jamais será correntista
de um banco que não tenha esse serviço. Os serviços on-line para
clientes serão percebidos como diferenciais entre as empresas.
Globalização.
A Internet interliga instantaneamente o mundo dos negócios, permitindo
que seu cliente, em qualquer lugar do mundo, tenha informações
atualizadas sobre seus produtos, faça solicitações de cotações
e pedidos on-line, verifique prazos de entrega de seus pedidos,
tenha acesso a bancos de dados com as perguntas e respostas mais
freqüentes sobre seus produtos e muito mais.
Além
de distribuir informações em segundos de e para qualquer lugar
do mundo, a rede mundial permite o surgimento de veículos globais
como o Yahoo (www.yahoo.com).
O fato importante é que pessoas dos quatro cantos do mundo têm
acesso a um mesmo veículo de comunicação, um veículo global, e
recebem o impacto de mensagens publicitárias com alcance global.
Mas
a força da globalização não se restringe à mídia: as empresas
podem construir marcas globais e conquistar mercados nos quais
não têm nenhuma operação local. Assim, empresas sem operação no
Brasil, como a Amazon, podem vender seus produtos a partir de
seu país de origem, e observamos, do dia para noite, o surgimento
de concorrentes internacionais. Integração.
Cada vez mais o relacionamento entre empresas será integrado pela
transferência de dados via redes privadas e via internet.
Com
o surgimento de uma rede mundial como a internet, todas as empresas
podem operar, a custos muito baixos, como se estivessem em uma
rede única; seus sistemas podem estar interligados, propiciando
a integração dos sistemas de informação para registro de pedidos
e avisos de recebimento e pagamento.
As instituições financeiras também estarão integradas às empresas,
realizando transações financeiras on-line.
Aproximação. A tecnologia multimídia permite a divulgação de produtos
e serviços com grande volume informativo, imagem, vídeo e áudio,
com possibilidade de venda on-line. Isso aproxima o consumidor
do produtor, permitindo que alguns setores façam venda direta
ao consumidor ou ao varejista, sem utilização de intermediários.
A desintermediação afetará muitos mercados, causando mudanças
nos modelos de negócios, no papel e na forma de organização dos
canais de distribuição de muitas empresas.
A
aproximação também ocorre na relação entre consumidores e varejistas,
que tradicionalmente só vendiam em lojas e passaram a oferecer
serviços de venda direta com entrega em domicílio em que a compra
é feita por com-putador.
O varejo sem loja, com vendas através de meios de comunicação
digitais, vai revolucionar o varejo. Alguns executivos do varejo
prevêem que esse modelo de vendas deve ser responsável por uma
participação de até 50% nas vendas totais do varejo em dez anos.
Convergência.
A partir do momento em que se tornou possível a representação
digital de imagens, vídeo e som, além de texto, um novo horizonte
abriu-se para os setores de entretenimento, informação, equipamentos
eletrônicos e serviços de comunicação. Estamos entrando na era
da convergência, quando em um só serviço de comunicação teremos
TV por assinatura, acesso à internet, videoconferência.
O
computador e a televisão vão transformar-se num único eletrodoméstico
- a TV interativa -, criando um novo meio de comunicação completamente
diferente dos atuais e com um potencial de desenvolvimento de
serviços de informação e entretenimento com novos formatos e modelos
de negócio.
Os meios de comunicação tradicionais têm como característica básica
a uniformidade e a unilateralidade da distribuição de informações.
A mídia impressa distribui grandes volumes de informação em texto
e imagens de maneira uniforme para todos os leitores. Da mesma
maneira, a televisão e o rádio têm modelos semelhantes, adaptados
a seus formatos de distribuição de informações em vídeo e áudio.
A nova mídia tem múltiplos formatos de distribuição de informações
e é bilateral, não um caminho de mão única. Essa possibilidade
de interação nos obriga a uma reflexão sobre o desenvolvimento
de um novo modelo de comunicação e sobre a infinidade de novas
formas de comunicação. Algumas questões simples precisão ser analisadas:
será que no futuro terá sentido um serviço de atendimento ao cliente
que não disponha de videoconferência via internet?
Será
que as pessoas vão continuar preferindo usar o telefone para fazer
uma reclamação, e o papel do telemarketing receptivo não terá
que ser repensado? Essas são apenas algumas das múltiplas possibilidades
em um mundo onde texto, imagem e vídeo trafegam em tempo real
nos dois sentidos.
Democratização
da informação. Nunca, em tempo nenhum, a informação pôde ser disponibilizada
em volumes tão grandes, com distribuição tão barata, tamanha rapidez
de atualização e através de mecanismos de pesquisa tão poderosos.
O iG, por exemplo, tem um enorme volume de informação e você pode
ter acesso a todo esse conteúdo gratuitamente.
Muitas
empresas ainda não perceberam a força do marketing digital, ou
mesmo não sabem como transformá-lo em uma ferramenta eficiente
de comunicação, vendas, conquista da fidelidade do cliente ou
atendimento a clientes.
Assim, muitas estão apenas navegando na internet para observá-la
e tentar compreendê-la. Outras publicam sites que não oferecem
nenhum valor aos visitantes, sejam eles clientes, clientes potenciais
ou influenciadores. No entanto, algumas empresas já se beneficiam
dessa nova tecnologia, fazendo novos negócios, e incluem a nova
mídia em seu plano estratégico de marketing, criando sites integrados
à estratégia global.
Essas novas tecnologias criam novas oportunidades e conceitos
tanto para empresas com produtos com orientação business-to-consumer
quanto para aquelas orientadas para o business-to-business. O
entendimento das forças do marketing digital e a criação de soluções
de negócios que façam uso dessas tecnologias exigem o conhecimento
básico desses recursos tecnológicos e o entendimento de como usá-los
para desenvolver estratégias eficientes de marketing.
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31/08/00 Mix de produtos no e-commerce.
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18/08/00 Segurança no comércio eletrônico.
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