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Mix
de produtos no comércio eletrônico mundar ou não
mudar ?
Marcio
Chleba, colunista do iG.com
Um dos desafios
na implantação de projetos de comércio eletrônico é definir o
mix de produto correto, pois não podemos acreditar que o comportamento
do consumidor seja o mesmo numa loja presencial e numa loja virtual.
A definição
de um mix do produtos adequado ao comércio eletrônico tem influência
não só no volume de vendas como na rentabilidade da operação.
Suponha que um supermercado ofereça o mesmo mix de produtos em
sua loja presencial e em loja virtual com preços idênticos, isto
é uma boa estratégia ?
Talvez não,
manter o mesmo preço pode diminuir a rentabilidade uma vez que
alguns itens com maior rentabilidade podem ser menos vendidos
na loja virtual proporcionalmente a suas vendas na loja presencial.
Imagine que
um supermercado tenha uma margem maior em produtos como queijos,
vinhos, e menor margem em produtos como material de limpeza, e
cerveja, e o consumidores da loja virtual tenham o hábito de comprar
on-line especialmente produtos pesados e de grande volume (o que
realmente acontece), deixando os produtos onde há mais prazer
na compra para o momento em que passarem por uma loja presencial,
certamente a rentabilidade da loja virtual será menor.
Mas além
do problema da rentabilidade devemos considerar que já que nem
todos os produtos têm sucesso nas vendas por computador, talvez
seja conveniente incrementar o mix da loja virtual com produtos
não disponíveis nas lojas presenciais. A escolha do mix de produtos
adequado deve levar em consideração três fatores importantes:
O produto
deve ter fácil decisão de compra. Para comprar uma bola de
futebol Adidas, basta que o cliente visualize uma imagem da bola,
um texto descritivo de suas características e o preço: isso lhe
dá totais condições de tomar a decisão de compra. O mesmo não
ocorre ao comprar uma central telefônica doméstica, mesmo vendo
sua imagem, uma descrição técnica detalhada e o preço, muitos
clientes não se sentirão confortáveis em tomar a decisão de compra,
pois terão dúvidas sobre seu funcionamento e adequação às suas
necessidades.
Credibilidade
da marca. A maioria dos clientes sente-se à vontade em comprar
uma TV Sony na loja virtual do Ponto Frio, uma vez que, mesmo
sem ver a TV em funcionamento, os clientes acreditam na marca
Sony e não têm dúvidas sobre as garantias de troca e atendimento
pós-venda de uma loja como o Ponto Frio. Porém, nem todos os clientes
se sentiriam à vontade em comprar uma TV Brochovisk de uma indústria
russa, por um preço superatraente, 'uma pechincha', ainda mais
se fosse numa loja virtual desconhecida. Para produtos mais baratos
que uma televisão, no entanto, a credibilidade pode não ser muito
importante para o consumidor, e mesmo produtos desconhecidos podem
ser vendidos.
Necessidade
de experimentação. Em todas as minhas aulas na ESPM pergunto
às senhoritas presentes qual delas compraria seu vestido de noiva
pela Internet e obviamente até hoje nenhuma disse que sim. Produtos
que requerem experimentação dificilmente são vendidos em lojas
virtuais, mas isso não quer dizer que não possam ser vendidos,
uma loja de roupa masculina pode tirar as medidas dos clientes
que compram em suas lojas, registrá-las e, assim, permitir que
o cliente compre ternos on-line, escolhendo modelo, cor e tecido.
É importante perceber que nem todas as roupas requerem experimentação:
uma camisa pólo - com tamanhos P, M, G e GG - não precisa ser
experimentada, principalmente se a compramos para presentear alguém.
Portanto
a implantação de um sistema de comércio eletrônico deve necessariamente
contemplar uma avaliação cuidadosa na momento da definição do
mix de produtos e da estratégia de preço.
Artigos
anteriores:
24/08/00
Construção de Marcas de Comércio Eletrônico
18/08/00 Segurança no comércio eletrônico.
Quem tem medo do lobo mau?
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