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Modelo
de telecom deve ser cumprido, defende Embratel
iG Pontocom - Quais os principais problemas no modelo
de telecomunicações brasileiro?
Purificacion
Carpinteyro - Eu gostaria primeiro de clarificar um
assunto. Eu acho que o modelo brasileiro de telecomunicações
é quase perfeito, ou seja, pegou o melhor de vários modelos
de telecomunicações para a liberalização e fez com que o
modelo desse certo. Eu acho que a regulamentação que tem
sido preparada pela Anatel é muito boa. A Lei Geral de Telecomunicações,
a regulamentação, são legislações que realmente incorporam
o mais importante para permitir a competição no mercado
das telecomunicações.
Mas agora eu acho que dentro desse mesmo modelo e dentro
dessas mesmas regras existe um desafio enorme, que é fazer
com que essas regras sejam cumpridas. O importante nesse
momento não é mais ter ótimas regras, mas sim fazer com
que essas ótimas regras que temos hoje sejam precisamente
aplicadas no mercado. Existe hoje pelo mesmo modelo brasileiro
de telecomunicações uma situação de incentivo natural das
operadoras locais, que estão concorrendo com a gente em
nossos mercados, de utilizar ou abusar de seu poder dominante
no mercado local para obter uma vantagem competitiva nos
mercados em que concorrem conosco.
Isso tem criado situações de práticas anticompetitivas que
devem ser controladas. Em muitos casos acontece que as operadoras
locais, inclusive sabendo que estão atuando por conta da
regulamentação que proíbe a discriminação, que proíbe a
protelação da entrega de facilidades. Eles fazem uma avaliação
simples: "A pior das multas é de R$ 50 milhões, vai ser
melhor pra mim se eu não entregar essas facilidades para
a Embratel, porque se eu as entrego perco R$ 100 milhões
ou mais em receitas".
Então
entre perder R$ 100 em receitas ou pagar R$ 50 milhões,
as empresas preferem economizar e pagar a multa. É muito
importante e é um grande desafio que o modelo brasileiro
de telecomunicações tem que enfrentar, fazer com que essas
regras sejam aplicadas efetivamente. A competição tem quer
ser feita na oportunidade, na capacidade que você tem de
oferecer no mercado os mesmos serviços do concorrente.
Se
as operadoras locais utilizam seu poder sobre esses recursos
essenciais que eles têm para precisamente estabelecer uma
vantagem competitiva, a gente nunca vai poder concorrer,
competir. A competição é sempre boa porque isso traz vantagens
para o consumidor, que finalmente vai pagar menos por melhores
e mais serviços.
iG
Pontocom - Quais seriam as sugestões da Embratel para aparar
essas arestas?
Purificacion
Carpinteyro - A nossa primeira sugestão é a seguinte.
Você sabe que o modelo brasileiro de telecomunicações permite
que a partir de janeiro de 2002, se cumpridas as metas de
universalização, as empresas podem conseguir novas outorgas
para concorrer no mercado de longa distância nacional e
internacional. Existem outros exemplos, como nos EUA, onde
as operadoras locais também obtiveram permissão para entrar
no mercado de longa distância desde que provassem não estar
cometendo práticas anticompetitivas, que estão permitindo
a concorrência em seus mercados sem discriminação.
Eu
acho que assim como o modelo brasileiro incorporou o melhor
de muitos modelos, o modelo brasileiro poderia incorporar
essa obrigação de provar que as operadoras não estão cometendo
práticas anticompetitivas para dar a elas outra outorga
para competir em outros mercados.
Desse jeito você cria incentivos para que elas não cometam
práticas anticompetitivas.
Outra
coisa que eu acho muito importante é que na própria Anatel
se reconheça a importância de agir com muita rapidez na
resolução desses problemas. Talvez eu esteja propondo a
criação de uma superintendência de práticas anticompetitivas
que se encarregue de agir com efetividade e imediatamente
na resolução dos problemas, que nós possamos dizer "Anatel"
Está acontecendo um problema!" e eles imediatamente ajam.
O problema
é que as operadoras sabem que a gente aciona a Anatel, o
processo fica por lá sem uma resolução enquanto elas continuam
ocupando o mercado. É isso que a gente não pode aceitar.
Então o grande desafio hoje não é fazer uma regulamentação
boa, porque a regulamentação é ótima. O grande desafio hoje
é fazer com que essa regulamentação se cumpra.
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