Busca por notícias

Nossas Fontes












O jornalista Paulo Henrique Amorim, diretor do UOL News, fala sobre jornalismo on-line e convergência de mídias. Segundo ele, TV e internet convergem, mas continuarão sendo produtos diferentes. Confira a seguir a entrevista concedida ao iG Pontocom.

Escolha uma conexão abaixo:
Se você não possui Windows Media Player clique aqui.


TV e internet são como "Romeu e Julieta", diz Paulo Henrique Amorim

iG Pontocom - A produção de jornalismo para banda larga tem futuro?

Paulo Henrique Amorim - Eu acho que isso tem muito futuro. Eu tenho a impressão de que esse vai ser um capítulo novo, uma janela que vai se abrir na minha atividade com jornalista e também para o consumidor. Eu acho que a banda larga é uma experiência muito rica. Ela oferece uma série de produtos de informação, a combinação do vídeo com o texto e com a interatividade. Esse é um produto irresistível, que ainda por muito tempo vai ser entregue através do microcomputador, que é um veículo maravilhoso.

iG Pontocom - A TV e a internet vão concorrer ou serão aliadas?

Paulo Henrique Amorim - Eu acho que vão se aliar em partes, mais ou menos como goiabada com queijo. Parece que fica tudo igual e convergente, mas goiabada é goiabada e queijo é queijo.

iG Pontocom - Qual a sua autonomia dentro do UOL? Como é o seu dia-a-dia?

Paulo Henrique Amorim - Eu sou o diretor de jornalismo do UOL News, tenho a responsabilidade de formular uma estratégia de cobertura, que é acertada com a diretoria do UOL, com Caio Túlio Costa e Márion Strecker, e obedece a própria estratégia da empresa. Também no varejo, no dia a dia, na cobertura dos acontecimentos como foi nessa emocionante cobertura das eleições no primeiro turno. Mas o planejamento geralmente é atropelado pela realidade dos fatos.

iG Pontocom - Existe uma grande diferença entre trabalhar numa TV moldada para a internet e uma TV convencional?

Paulo Henrique Amorim - Eu trabalho nos dois, na TV convencional eu estou na Cultura, apresento o "Conversa Fiada" e também faço o UOL News, e são produtos diferentes. A duração dos programas, das atividades é diferente, a profundidade é diferente, o tratamento do texto é diferente. E há uma diferença básica, que é a possibilidade da interatividade. Na internet o cliente manda no produto mesmo.

Na televisão, o programador e o âncora do programa são ditadores em relação ao gosto do público, o máximo que o público pode fazer é clicar e mudar de canal. Na internet é o contrário, o programador é o freguês. Ele programa a atividade dele, primeiro vai no bate-papo, depois vai no vídeo ou vai pegar o e-mail. Ele vai nos marcadores dele e rapidamente troca um portal por outro, ou vai no New York Times, vai fazer compras no Pão de Açúcar. O freguês de fato tem um controle muito maior sobre o que ele quer.

iG Pontocom - Como então segurar a audiência nesse meio onde facilmente as pessoas trocam não simplesmente de canal, mas assuntos não necessariamente correlatos?

Paulo Henrique Amorim - O problema é talento, para variar um pouco. O jornalismo dentro da internet tem a possibilidade de virar uma commodity com o volume imenso de informações que você tem acesso. De qualquer maneira você vai ter sempre necessidade de um instrumento para organizar aquelas informações de grande volume, hierarquizar e entregar a mercadoria, e aí que entra o talento. Hierarquizar, empacotar e entregar, e aí entra o jornalista.


TV iG Business
Assista à entrevista de Luiz Carlos Urquiza, Presidente do Banco1.net