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Em "Jornalismo com H", texto que é posfácio da obra editada
pela Companhia das Letras, Matinas Suzuki Jr. conta a história
da reportagem de Hersey, a forma especial como a revista The
New Yorker a editou, a trajetória do repórter. Mostra também
a reação que a reportagem suscitou na época de sua publicação
e discorre sobre a origem e o desenvolvimento do jornalismo
literário, que produz reportagens mais elaboradas, misturando
a forma ficcional com o conteúdo jornalístico.
Jornalismo com H
Matinas Suzuki Jr.
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| John Hersey, autor de Hiroshima |
Hiroshima é uma espécie de Cidadão Kane do jornalismo. Como o filme de Orson Welles, esse texto lidera todas as
listas de "melhor reportagem" já escrita. O autor John Hersey precisou de 31347 palavras para explicar como uma
única explosão matou 100 mil pessoas, feriu seriamente o corpo de mais 100 mil e machucou a alma da humanidade.
Nenhuma outra reportagem na história do jornalismo teve a repercussão de Hiroshima.
Os cerca de 300 mil exemplares da revista The New Yorker com a data de 31 de agosto de 1946
no cabeçalho esgotaram-se rapidamente nas bancas. O preço de capa era quinze cents, mas cópias
chegaram a ser vendidas entre quinze e vinte dólares. Do país todo e do estrangeiro chegavam à
redação pedidos de autorização para a reimpressão da matéria (os direitos eram doados para a Cruz Vermelha).
A cadeia de rádio ABC pôs no ar atores lendo a reportagem de Hersey. A BBC, em Londres, fez o mesmo. Albert Einstein
enviou um pedido de compra de mil exemplares, mas não pôde ser atendido. Quando foi editada em livro, o Clube do Livro
do Mês distribuiu 1 milhão de cópias gratuitamente aos associados. A matriarca do colunismo sobre celebridades de
Holywood, Louella Parsons, incluiu John Hersey na lista dos dez americanos mais importantes de 1946.
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