|
O UNIVERSO FICCIONAL DE CHICO BUARQUE
Mais do que três bons romances, Chico criou um universo ficcional muito particular. A repercussão de
Estorvo (1991), publicado em dez idiomas, e de Benjamim, (1995), lançado em sete idiomas, mostra
um autor na posse de sua maturidade literária:
Sobre Estorvo:
"Estorvo é o relato exemplar de uma falha, de uma vertigem, de uma despossessão.
Exemplar também quanto à forma [...], é uma narrativa a galope solto, num ritmo de suspense; sua
temporalidade própria, carregando o tempo fixo, espacializado, recorrente, das coisas e situações, é
o andamento ágil, mas numa chave onírica, obsessiva, que impossibilita, apesar das repetidas
referências do narrador à sua infância, o reencontro do tempo perdido."
Benedito Nunes, Folha de S.Paulo
"Com efeito, o charme do Chico letrista se encontra aqui com sua ironia, sua falsa ingenuidade, seu
dom de observação, seu gosto pelas palavras, pelos jogos de palavras [...], nos contando uma forma
de viver o Rio, onde tudo se mescla: a violência, a beleza, o luxo, a miséria, o sentido e o sem sentido.
Nicole Zand, Le Monde des Livres.
"É, pois, esta unidade, esta convergência do modo de olhar com o modo de escrever, que tornam
mais raro e mais feliz este livro. Concebê-lo assim, tão liberto e arrojado, tão agressivo na sua forma
de contar, tão despido de equilíbrio e ao mesmo tempo tão coeso e tão sóbrio na sua alucinação
premeditada, concebê-lo assim, repito, é o que o torna um acto de coragem criadora e uma realidade
efectivamente viva na nova literatura de língua portuguesa."
José Cardoso Pires, Jornal de Letras, Artes e Ideias (Portugal)
"Basta abrir a primeira página para entender que Chico é uma velha raposa, que a escrita - em forma
de versos para as canções, de peças de teatro, de narrativas - é território tão seu quanto a música."
Irene Bignardi, La Repubblica (Itália)
"Estorvo é um livro brilhante, escrito com engenho e mão leve. [...] Esta disposição absurda de
continuar igual em circunstâncias impossíveis é a forte metáfora que Chico Buarque inventou para o
Brasil contemporâneo, cujo livro talvez tenha escrito."
Roberto Schwarz
Sobre Benjamim:
"O livro é magnificamente bem escrito. O escritor chega à excelência em sua capacidade de captar os
detalhes expressivos, de encontrar a imagem exata, e confirma seu domínio absoluto do ritmo. [...]
Em momentos assim, o escritor Chico Buarque encontra o compositor Chico Buarque pela via do
lirismo, e o resultado não é só alta literatura, mas também uma poesia dolorosa, uma quase-música
que embala e comove."
José Geraldo Couto, Folha de S. Paulo
"O resultado é um livro surpreendente, onde as palavras são manipuladas para construir imagens
perfeitas que poderiam estar numa das letras do autor. Mesmo dentro do sonho, os personagens
ganham realidade e o leitor vira cúmplice involuntário ou angustiada testemunha muda. [...] Nas 170
páginas de Benjamim, Chico confunde e guia através da neblina da mente de Benjamim e mostra
como o clima onírico de um delírio derradeiro pode ter jeito de diário."
Nayse Lopez, Jornal do Brasil
"Benjamim tem uma estrtutura circular e polifônica habilmente construída. [...] Em Benjamim a narrativa
não depende tanto das imagens. Os personagens são mais facetados e o ritmo varia. É fundamental,
aqui, notar como Chico escreve bem. [...] Novamente Chico nos põe numa terra ambígua, em que
realidade e ficção se confundem."
Daniel Piza, Gazeta Mercantil
Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro, em 1944. Cantor e compositor, publicou
as peças Roda viva (1968), Calabar (1973), Gota d'água (1975) e Ópera do malandro (1979);
a novela Fazenda modelo (1974) e os romances Estorvo (1991) e Benjamim (1995).
|