Colunistas : Matinas Suzuki Jr.
17.9.2000
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Matinas Suzuki Jr. (msuzuki@ig.com.br)
ilustração: Maria Eugênia (maeugenia@ig.com.br)

 

 

Minha jovem jornalista,

Outro dia, enviei um Cartão Postal que falava da Gisele Bundchen na capa da revista “Rolling Stone’’. Eu me perguntava se ela tinha noção da importância que a capa da “RS” tem para a história do jornalismo.
Pouco tempo depois, fui ao maravilhoso mundo das capas da “Rolling Stone” para preparar uma aula sobre design em revistas. Salutar mergulho nas capas da RS.
Quando tudo começou, na Califórnia dos 60, no auge da revolução comportamental mais importante após-Guerra, não se sabia se era um jornal ou uma revista. Mas, isso não importava.
Saiba que cada época nova precisa de novas formas de comunicação. Diferentes conjunturas históricas pedem diferentes formas de jornalismo. Não existem fórmulas editoriais que funcionem em qualquer lugar. Em qualquer tempo. A “RS” sacou isso. E foi a glória de uma geração. Na qual, a minha pongou o bonde. Pegou carona.
Lembro-me quando chegou ao Brasil. Ezequiel “Zeca Jagger” Neves. AM Baiana. E o mundo dissonante para ser lido, sentido, guardado, cuidadosamente colecionado como a bíblia de uma outra atitude perante a vida.
Minha jovem jornalista, lembre-se do contexto em que ela chegou em sua versão brasileira: endurecimento do regime militar, crescimento do moralismo conservador nas famílias, censura. A cultura rock chegava soprando ao vento uma alternativa ao negror dos tempos. Era a pré-Ilustrada. O santo espírito do que a seção de cultura da “Folha” faria nos 80.
Mesmo na cultura alternativa, não se faz nada pra valer sem um grande time: Annie Leibovitz, Richard Avedon e Herb Ritt na fotografia. Na direção de arte e nas ilustrações, Garry Trudeau e Milton Glaser, entre outros, além de um monte de craque nos textos. Norman Mailer entre eles. As capas das mortes dos Js (Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison), idênticas na sua concepção, são o portas-retrato de uma época vigorosa (enquanto escrevo, me vêm à cabeça as imagens de um comercial da época – 1970 – contra o uso de drogas, com Joplin cantando “Summertime” ao fundo; foi a única maneira de ela aparecer no horário nobre da TV brasileira e isso era forte, fulminante, para aqueles que
tinham um sonho).
Talvez a “Rolling Stone” não faça nenhum sentido para vc. Talvez ela faça muito pouco sentido para a menina Gisele. Mas há, nela, algo que serve de inspiração forte para a nova época que se inaugura. Não é à toa que o ambiente dela e o da cultura da Internet são a mesma Califórnia.

Um abraço,

M, de momentos passados (e futuros)

PS: No final dos 80, depois que a “Rolling Stone” passou a adotar o formato de revista de alta qualidade gráfica, o diretor de arte Fred Woodward passou a dar um show de bola em suas capas e nas páginas duplas de abertura de matéria. Veja a edição de Bruce Springsteen de 90, a capa de Sinéad O`Connor de 91e a de Dennis Rodman de 1996..

O manifesto de fundação da Rolling Stone

“Você provavelmente está tentando imaginar o que nós estamos tentando fazer. É difícil dizer: é meio revista, meio jornal. O nome disso é ROLLING STONE, o qual vem de um velho ditado que diz: `Uma pedra que rola não pega musgo’. Muddy Waters usou esse nome para uma canção que compôs; os Rolling Stones tiraram o seu nome da música do Muddy; e “Like a Rolling Stone” foi o título do primeiro disco de rock & roll do Bob Dylan.
“Nós começamos uma nova publicação refletindo o que nós vemos como as mudanças no rock & roll e as mudanças conectadas com o rock & roll. Porque os jornais comerciais tornaram-se tão inacurados e irrelevantes, e porque as revistas de fãs são um anacronismo, nós esperamos ter algo aqui para o artista e a indústria, e para cada pessoa que ‘acredita que o mágico pode deixá-lo livre’.

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SAIBA MAIS
Este endereço na Internet tem todas as capas que a revista "Rolling Stone" dedicou aos Rolling Stones,
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Se vc deseja comprar o livro de capas da "Rolling Stone",
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Um fanático pelos Rolling Stones fez uma página na web com as suas capas de revistas prediletas dedicadas ao grupo;
isso incluí uma capa de 69 da"Rolling Stone",
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